quinta-feira, 7 de junho de 2012

Top five sambas e pagodes do Recife

Recife é estranho. Ele é tão estranho que consegue quebrar internamente a hegemonia dos pagodes do eixo Rio, Sampa e Minas (chegando até a exportar alguns!). Aí você começa a ler isso e se perguntar: - O que Rodolfo entende de pagode? E eu te respondo: - Nada! Porém já vivo em Recife há um bom tempo e já percebi o ciclo do pagode na cidade.

Neste TOP pagodão (bem ao estilo Puxa Cachorra) eu vou listar e comentar grandes sucessos e seus impactos sobre a sociedade, economia e desenvolvimento da região metropolitana do Recife. Já agradeço os consultores e consultoras que serão citadas no texto, sua colaboração foi mister para o desenvolvimento deste projeto messiânico.

Como a literatura sobre o assunto é escassa, talvez alguns muitos erros sejam cometidos. Pra se ter ideia, nem no youtube você acha fácil material sobre essas músicas, o que dificultou nossa pequisa.

5 - Jeito diferente - Jub Jub (ficou famosa por ter sido regravada pelo molejão: é voccheeeê AndrezÃo)
Conhecida mundialmente por ter sido regravada pelo Molejão "é vochêÊê Andrezhããão", este sucesso ainda hoje faz as moçoilas da época levantarem os braços para cantar de olhos fechados seu refrão lotado de clichês baianos. Essa entra em último lugar por ninguém saber se realmente é de uma banda de Recife.

4 - Banda Ourisamba (não confundir com a do Toda Enfiada) - Cuidado com o tarado
Com seu clipe fantástico filmado no Parque da Jaqueira e tendo um anão como Protagonista Tarado gerou uma moda lindíssima de topetes descoloridos e roupas de oncinha lantejouladas. Essa música para atingir o sucesso e mudar a vida de galeguinhos de piedade e do arruda, se valeu de inúmeros clichês do mundo pagodeiro, segue:
1 - Refrão pegajoso e engraçadinho: Cuidado, cuidado com o tarado, ele pode, pode te pegar.
2 - Coreografia: A coreografia passa por pulos e por gestos de mão.
3 - Letra falando partes do corpo humano para servir de guia da coreografia: Peitinho, xibiu, bundinha, etc.
4 - Anão: Anão sempre faz sucesso.
5 - Mudança visual: O topete de Ronaldinho sofreu um upgrade e danaram água oxigenada nele.
6 - Ecos intrínsecos: Cuidado, Cuidado com... Ele pode, pode... Sempre tem alguma palavra que é repetida estrategicamente para que ela não saia nunca mais da sua cabeça.
A fã Bruna Florêncio disse que dançou muito essa música na sua juventude, principalmente na praça de  Itamaracá (no auge). Essas visitas eram regadas a vinho carreteiro e muito cuidado, cuidado. Ainda hoje ela guarda com carinho as lembranças desta época mágica que não volta mais.

3 - Clima Tropical - Será Meu
Essa é da época do pagode moleque, do pagode sem duplo sentido (conhecido também como porno-pagode). Nota-se a muito usada técnica de refrões com repetição e que grudam na sua cabeça como farinha ruim gruda no céu da boca. Essa embalou muitas festas de 15 anos na cidade, matinês e viagens de colégio nos idos de 2003 e 2005.
Algumas pessoas mais exóticas como Hanaty Mendonça dizem que essa música fez tanto pela inclusão social que até nos acampamentos evangélicos ela tocava.

2 - Bloco do Samba - Teu Breque
Ao ouvir "Ai mainha, painho quer tu, vamos fazer um sururú" fico imaginando o melegô desse casal chafurdando no molusco. Raf@el Cordeiro explicou que essa música não é do Sassarico como muita gente pensa, ela é na verdade do Bloco do Samba que fez um sucesso grande no Pedro Paulo na TV e no Deny Oliveira. Eu acho que eles venderam até a alma ao Molejão "é vochêÊê Andrezhããão", pois não encontrei a música com eles para linkar aqui.
Paula Luciana vibra com a mesma ao menor sinal de sua execução. Ela sempre suspira um saudoso: Ah como era bom aquele tempo.

1 - João do Morro - Obra completa
João do Morro quebrou todas as barreiras e tocou até no programa da Eliana. Tocou em todos os locais do Recife desde botecos até casas de show renomadas. Tocou para multidões. No auge seu show era tão quente que o 100% Brasil pegou fogo após uma de suas apresentações. Ele emplacou seguido nas rádios uns 5 sucessos (Frentinha, Ai gue gue, Papa Frango, Eu não presto, Sarará, etc) e tocava nos sons das carroças do meio da rua, propagandas de tv e Hilux's de Boa Viagem. Karla Fernanda (conhecida erroneamente como Fernanda Carla) deu um depoimento emocionado sobre o assunto. Clique no Play e se emocione também.


Curtam alguns sucessos nos videos abaixo!

Menção honrosa - Negrisamba - Melô do gago
Essa música marcou uma geração. Ainda hoje ela é lembrada por sua letra baseadas em fatos reais e o poder vocálico de quem a executa. É como um teste de sobrevivência do pagode em Recife, um rito de iniciação um suporte vital. Pagodeiro de Recife que não toca ou não conhece não merece respeito nem o direito de descolorir os cabelos e fazer topete!

Rodolfo Nícolas ôôôô éééé.

1 Reaction to this post

Add Comment
  1. Anônimo disse... 7 de junho de 2012 16:28

    #Ameeeeei, muito booom!

    Agora, só uma correçao a fazer, meu nome é Karla Fernanda ;)

    ;**

Postar um comentário