sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quando eu tinha por volta dos meus 23 anos fiz um calculo para saber quanto tempo tinha utilizado para assistir o maior clássico cinematográfico da minha era. Na época, avançadas técnicas de aproximação e estatística me levaram a conclusão que já passara mais de 24 horas junto a Ferris Bueller, Cameron e Sloane no filme que marcou uma geração: Curtindo a Vida Adoidado!
Minha edição de colecionador é exatamente igual a essa da foto
Hoje esse valor já aumentou sensivelmente, mesmo eu não podendo mais assistir a Sessão da Tarde como antigamente. Comprei o DVD (com a dublagem clássica!) e até Marcela já adora o filme. A única falha de minha relação com Curtindo a Vida Adoidado (o título original em inglês é Ferris Bueller's Day Off) é que devido a minha infância sertaneja, nunca pude ver essa turminha aprontando altas confusões na tela grande. Aí o VIVO OPEN AIR apareceu.
Foto retirada do site do VIVO OPEN AIR - Espero que a plateia levante, dance e cante na hora da parada... é um sonho...
Como Deus Ex-machina o VIVO OPEN AIR vai acabar com essa "falha" na minha linha do tempo. Agora serei cinematograficamente mais adequado. Amanhã, no dia 01/12/12, o maior clássico oitentista e obra prima de John Hughes será exibido no Cais de Santa Rita, numa tela de 325 metros quadrados! Meus olhos marejam esperando o momento. Logo depois, teremos um show com Baby do Brasil, onde ela cantará seus sucessos apoiada por seu filho Pedro Baby. Para quem tiver fôlego, ainda vai rolar uma Odara Ôdesce depois do show.


O VIVO OPEN AIR começou no último dia 28 e vai até 9 de Dezembro, e o maior cinema a céu aberto do mundo vem com a proposta de trazer grandes clássicos do cinema (seja mundial ou regional) junto a pré-lançamentos e grandes shows. Na telona já rolaram o Som ao Redor (filme de Kleber Mendonça Filho) no dia 28 e Pulp Fiction (famosa e divertida obra de Quentin Tarantino) no dia 29. Hoje, dia 30, será exibida a comédia Quatro Amigas e um Casamento (do diretor Leslye Headland) e em seguida acontecerá a Festa Selecta. Ainda vão passar por essa tela filmes como O Poderoso Chefão, De Volta Para o Futuro (uma lágrima solitária escorreu do meu olho... podiam passar os 3 de uma vez!), Era uma vez eu, Verônica, O Baile Perfumado e As Aventuras de Tim Tim. Confira toda a programação clicando aqui.
Foto retirada do Facebook do VIVO OPEN AIR - Mãe de Cristo... chega faltou fôlego...
VIVO OPEN AIR
28 de novembro a 9 de dezembro de 2012
Cais de Santa Rita – Próximo ao Catamaran - Av. Engenheiro José Estelita, 657, Bairro São José, Recife-PE.
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$20 (meia). Celular antigo vale 01 (um) ingresso aos domingos.
Abertura do evento: de quarta a sábado às 19h, domingo às 16h.
www.vivo.com.br/openair
www.facebook.com/openairbrasil

Rodolfo Nícolas está Vivo!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Em uma sexta dessas, fui convidado para o aniversário de um amigo (aê Lipon) e ficou aquele lero-lero de escolher para onde ir e blá blá blá. Por fim, ficou definido um lugar na Praça de Casa Forte. Na hora meu bolso tremeu... Aquela região tem ar de cara por natureza. Fui para o Box Vitória Régia preparado para tomar uma facada!
Estava escura a noite uuuuuuu
Para minha grata surpresa o local não era uma lanchonete (rá, Marcela, rá) e muito menos tinha preços exorbitantes. Era um bar com mesas na calçada, super tranquilo e com valores bem em conta. Meu medo de ser uma lanchonete se fundava no fato de nesse mesmo lugar ter outros boxes que funcionam como sorveterias, "lanches irados" e coisas não muito atrativas para um aniversário na sexta à noite.

Batata com cheddar e vida
Todo mundo na mesa tava num frenesi para experimentar as opções do cardápio. O começo de rocha foi uma batata frita coberta com cheddar e vida (vulgarmente conhecido como bacon), muito suculenta e crocante. O prato custava R$ 12,  se não me falha a memória. Na outra ponta, eles pediram um inebriante pastel de queijo do reino. A porção com 10 unidades custou por volta de R$ 15, se não me engano... que memória ruim a minha... Ainda não satisfeitos (sim baixou um espírito de "gordice"), rolou um bolinho de bacalhau que, apesar de não ser uma comida das minha preferidas, estava gostoso pra peste (e deveria ser bacalhau da Noruega, pois pense num sal bom que o bicho tava).

Foto tratada com as mais modernas ferramentas de edição de imagem (olha esse queijo... meol deols!)
Fiquei um bom tempo refletindo, num impasse do sabor, se pedia a linguiça de bode ou a carne de sol com queijo. Quaisquer que fosse a escolha seria acompanhada de farofa de jerimum. Optei pela segunda opção e valeu muito a pena! Combinação perfeita da carne e do queijo com a farofa, que é bem molhadinha. Saiu por um precinho em torno de R$ 25.

Antes disso tudo eu tinha pedido um caldinho de feijão primeira linha e uma caipirinha definida por Marcela como muito alcoólica. Quase  no mesmo instante em que Marcela deu o ar da graça, chegou também um DJ muito fera que tocava umas músicas massas e a gente dançou em cima das mesas a noite toda. Isso foi mentira, claro, só para quebrar o clima e ver se estavam todos prestando atenção. Nem levantar eu conseguia de tanta comida boa.
Ahhhh, o queijo em cubos...
O Box Vitória Régia está recomendadíssimo pelo RecifEstranhO! Dá pra ir garantido de comer e beber bem sem ter que deixar um rim ou algum órgão empenhado para pagar a conta. Quem for lá, aproveite e diga ao dono que foi por indicação da resenha do blog, que você não vai ganhar nenhum tipo de desconto :D
Profissional a caipirinha!
Bolinhos de bacalhau norueguês
A azeitona afunda no caldinho como Golum no final de Senhor dos anéis
O Box Vitória Régia – Petiscaria fica na Praça de Casa Forte, 409 em Recife,Pernambuco. É perto da igreja, numa esquina com várias lanchonetes, onde nas quintas-feiras acontecem os encontros de amantes de carros velhos.

Rodolfo Nícolas não luta box

domingo, 25 de novembro de 2012

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Estava fazendo hora pela Rua da Hora (Um prêmio para minha intimidade com as palavras, clap, clap, clap - Outro prêmio para minha desorientação, pois a padaria Trigo's fica na Rua do Futuro) e fiquei vendo seus inúmeros cafés e restaurantes. Nenhum deles me apetecia muito, estava procurando uma "jantinha" mais no estilo padaria. Aí lembrei que a Trigo's era por ali e eu nunca tinha pisado lá. Até aquele momento...

Padaria ninguém quer ser...
Tudo nos trinques lá dentro. Os caixas são logo na entrada, próximos da mercearia e dos laticínios. Em frente ao balcão de doces tem uma parte de queijos e mais adiante um mundo de pães e bolos (cada um mais bonito que o outro). Isso tudo para chegar ao lugar do "dí cumê". Tem alguém ali muito esperto na arte do "inception", você vai indo pensando no que vai pegar na volta.
Eita regime...

Já na área de comida tinha um balcão enorme com tudo muito suculento e apetitoso. Foi bronca escolher o que comer, ainda mais que estou de regime (preciso perder 30kg) e não queria cair na armadilha dos olhos. Foi difícil... O que tinha de bolo jogando charme e dando lance não tá no gibi. Montes de sanduíches e salgados. Uma parte cheia de panela quente com inhame, macaxeira (que queimei minha mão cinco vezes antes de conseguir me servir), galinha guisada, peixe e mais uma tuia de coisas bem quentes (o que é muito importante) e de boa aparência. Só senti falta do pão à mostra, aquele que você coloca direto no prato... Era preciso pedir a moça do balcão, pois aí era cobrado o valor do pão normal, o que é algo bem justo.
Olha aí a área quente e uns doces bonitos

Ahhh... que me deu fome agora... vou parar de tirar essas fotos
Montei meu prato com ovos mexidos, salsicha, macaxeira, galinha guisada, uma batatinha cozida (uma, apenas), dois bate entopes estilo coxinha, um bolo sucesso de canela, um bolo formigueiro com cobertura de chocolate muito maligno de tão bom e, por fim, um sanduíche de pão integral (pois estou de dieta, né?). Quando já ia pesar o prato soube que a carne de sol tava para sair e esperei para tê-la. Pesei tudo, pedi um suco e um pão (meu vacilo... atrapalhei o regime...) e fui usar minha comida.

Tem uns 3 tipos de pimenta e mais uns 2 temperos aí
Estava me refestelando com os quitutes quando ouvi alguém pedindo torrada com pimenta. Instantaneamente minha pupila dilatou e meus pelos do pescoço se ouriçaram: - Eu preciso disso! Então, pedi essa torrada e, pela misericórdia, senti que construíram a Trigo's para que ela trouxesse esse quitute para a humanidade. Sen - sa - cio - nal!

Acabei de me nutrir e fui pagar a conta. Sinceramente nem prestei atenção no valor, já que paguei com meu vale-feira. Agora, escrevendo a resenha, vejo que o suco custou R$ 2,65 e a comida, R$ 24,90 o quilo. E este preço está muito bom para esse tipo de refeição e local, vale a pena mesmo.

Fui à Trigo's por indicação de um colega do trabalho que vez ou outra leva um bolo formigueiro para nosso deleite. As formigas desse bolo parecem com a do último filme de Indiana Jones, pense num bolo bom.

A Trigo's, segundo o site da Veja, fica na Rua do Futuro, 386, no bairro das Graças. Funciona das 7h às 21h e você pode ligar para o número 3427-6856, caso queira mais informações.


Rodolfo Nícolas já teve um cachorro com o nome de Trigueiro, mas ele digi-evoluiu para Subejo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

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Eu tive um sonho. E neste sonho eu segurava uma montanha e depois a comia. Eu a devorava devagar, saboreando cada momento. Me refestelando no que escorria de suas entranhas a cada estocada de minhas armas. Mas sabia que era uma tarefa difícil de realizar sozinho. Então, chamei Marcela para me acompanhar ao Café Cultura, no Paço Alfandega, e encarar mais esse desafio.
Juro que achei que eles iam jogar a pala de que estavam vendendo café há mais de mil anos...
O cardápio da cafeteria se chama Carta de Café
Acho que quem já foi à Livraria Cultura, do Recife Antigo, percebeu que no primeiro andar existe uma cafeteria. No espaço são vendidos cafés finos e sorvetes especiais, iguarias essas adoradas tanto pelo paladar refinado de espevitados gourmets quanto por apreciadores do gosto forte do sabor doce. Lá, você só encontrará cafés e comidas doces... Eles não vendem nada salgado, o que para mim é um ponto fraco. Bem, como já fomos focados, nem olhamos a Carta de Café (que é o mesmo que cardápio, só que para cafés) e pedimos logo um Café Vienense.

Parece o ventre da terra rasgado e sangrando chocolate
Na descrição da Carta tem dizendo assim: sorvete de creme, raspas e creme de chocolate, canela e chantilly - Opcional: café gelado. Mas agora eu vou decifrar isso para vocês, explicando o que essa descrição fria e sem vida não consegue. Numa taça untada (pode usar essa palavra?) com o insano creme de chocolate são colocadas umas quatro bolas de sorvete de creme. Posteriormente, tudo isso é coberto com uma enormidade de chantilly. A raspa de chocolate é colocada entre as bolas de sorvete e o chantilly. Sobre esse amontoado todo vai a canela. Não sei onde entra o café gelado, já que ninguém jamais ofereceu e eu nunca lembrei de pedir.
O homem que segurou a colina e comeu o sorvete
Comer essa iguaria é uma atividade que merece concentração e dedicação. Num momento de descuido, meu e de Marcela, quase que o sorvete girava sobre o creme de chocolate e caía na mesa. Em uma manobra habilidosa, conseguimos reverter a situação. Indico que se coma logo todo o chantilly, para se ter acesso e controle do sorvete, que às vezes se mostra arredio sambando e fugindo das estocadas (imagine o momento e como as colheres devem estar nervosas). Quando ele começa a se esvair e baixar na taça é a hora de alcançar o creme de chocolate, que se gruda a superfície fazendo de cada colherada uma saborosa conquista.

O Café Vienense e os outros sorvetes especiais do Café Cultura são deliciosos, mas só recomendo para quem realmente for fã de sorvete e comidas doces, pois o preço é bem salgado. Indico a taça normal de R$ 26 já que ela atende bem duas pessoas. A menorzinha custa R$ 20 e não vale muito a pena por só atender um indivíduo. Marcela sempre para de comer já perto do fim, pois se diz enjoada pela quantidade (assim, ela deixa todo o trabalho sujo de limpeza para mim). Já comemos outros sorvetes especiais e todas as vezes foram deliciosas batalhas (que nunca serão contadas em verso e prosa).
Desconstruindo o café vienense
O Café Cultura fica na Livraria Cultura do Shopping Paço Alfandega, localizado no Recife Antigo. Se você é de Recife e não sabe onde fica a Livraria Cultura, não merece ler estas linhas e muito menos viver, mas como pode ser um turista lendo, eu vou quebrar o galho e dizer que ela fica na Rua Madre de Deus, sem número (em frente à estátua de Ascenso Ferreira).

Funciona de segunda a sábado, das 10h às 22h e domingos e feriados, das 12h às 21h.

Rodolfo Nícolas já brigou por causa de sorvete.
Rodolfo Nícolas escreveu duas vezes.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

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Sorteio de festa do Dia das Crianças. Nada. Bingo. Nada. Poupa Ganha. Nada. Mega-sena. Nada. Jogo do bicho. Nada. É, infelizmente, a sorte não gostava mesmo de dar o ar da sua graça na minha vida. Mas eis que, depois de mais de duas décadas, o Recife Estranho surge para provar que nada está perdido. Sim, caros leitores! Além de revelar as coisas boas (e não tão boas) da nossa Veneza brasileira, este querido blog é capaz de modificar vidas e acender a chama da esperança, que estava mais balançada do que passageiro do Rio Doce/ CDU. Então não hesitem: leiam as resenhas, aproveitem as dicas, curtam tudo no facebook e lembrem-se que, na próxima promoção, você pode ser o felizardo.

Anna ficou muito feliz em provar comida mexicana, mas escreveu esse depoimento num feriado-ressacado-e-sonolento, estava chateada e quis usar expressões meio bregas como “ar da sua graça”, “chama da esperança” e “felizardo”.
São depoimentos como esses que alegram nossos dias e não deixam arrefecer a chama desse blog.
Annita você é uma fofa. Valeu por participar e pelo depoimento :D

Ainda ganhei um kit kat. hahahahaha. Foto: Alana Lima/Cortesia

domingo, 4 de novembro de 2012

No Dia de Finados eu estava em casa de bobeira e resolvi dar uma passeada pelo bairro de Casa Amarela. Ver um pouco das ruas, do mercado (e anexos) e, principalmente, me nutrir de alguma comida boa.
Imponente e bonito o mercado
Passeando por suas ruas, que não estavam muito movimentas por causa do feriado, vi muita coisa legal. Sebo de calçada, seja de livro ou de vinis (o de discos vendendo raridades por R$ 5. Não comprei por não ter vitrola. Vi-tro-la, hein?), ambulantes mil, vários locais para consertar panelas (estou precisando), frutas e verduras.

Saí andando de anexo em anexo e minha memória me levou a um local que minha tia sempre ia comprar queijos, castanhas, amendoins e outros quitutes de recepção. Fiquei perambulando e dando bobeira até que resolvi comprar um queijo de manteiga bonito, lustroso e garboso que repousava sobre um balcão.
Aquele disco de Secos e Molhados no cantinho custa R$ 60 no Mercado Livre...Quem dirá os clássicos de Luiz Gonzaga
Um queijo de manteiga "rules"
Está muito gostoso o bicho (inclusive comi um pedaço agora para tirar a foto. No balcão ele é ainda mais tentador por causa do calor, que faz a gordura escorrer por ele), apesar de não parecer com o que comia no tacho lá no Sítio São José, terra dos meus antepassados. O box que comprei foi o Unifrios. O quilo do produto, produzido em São Bento do Una, custa R$ 21,50.

Na hora do pagamento, aproveitei e perguntei um lugar massa para almoçar. O vendedor me indicou o box ao lado, o almoço da Dona Mery! Cheguei para dar uma sacada e já vi um senhor com um prato de feijão muito suculento acompanhado de galinha guisada beeeeem amarelinha por fora e branca por dentro, mas que não parecia ser de coloral nem desses condimentos do mal. Vi que era um lugar massa. Por R$ 7,50 eu poderia escolher entre sarapatel, galinha guisada, bife e cupim. Pedi bife para a carne e só feijão e arroz de acompanhamento. Fiz questão de pedir daquele mesmo feijão bonito que o homem tava comendo. Poderia ter pedido macarrão e verdura também, e jerimum no feijão, mas aquilo me bastava.
A comida fica nessas panelas no balcão e não tem nada escondido como alguns lugares chiques por aí...
A trinca de ouro alimentícia da minha vida
Que feijão delicioso... e a carne estava num ponto ótimo, se desmanchava na boca e com o caldinho no sal perfeito. Parecia que era a comida da minha mãe. Enquanto comia fiquei vendo a vida passar, olhando para o portão de entrada do Colégio Dom Bosco (que nunca estudei lá, mas achei legal falar dele com um ar de nostalgia)... Dona Mery conversava com um senhor que falava que ficou preso no casamento por mais de 20 anos por falta de coragem de terminar o enlace... que o Enem não era bom para os negócios, já que começa perto de meio dia e o pessoal já vem almoçado de casa e na época do vestibular ela vendia muito café da manhã e os pais ficavam bebendo esperando os filhos saírem...

No fim das contas, me desliguei da realidade e fiquei apenas comendo e esperando o tempo passar, algo muito complicado nos dias de hoje. Ao final do meu PF, já com a barriga cheia, só me restou voltar à realidade e retornar ao meu lar.
Feijão de arranca bom, primeira linha
O Mery Almoços fica no Mercado de Casa Amarela, box 30, no anexo por trás do mercado original. Sua entrada é bem em frente ao Colégio Dom Bosco.

A Unifrios fica no mesmo prédio, no box ao lado. Lá você encontra queijos, amendoins, bolos e muitas outras coisas legais e gostosas.







Rodolfo Nícolas ficou pensando em comprar uma casa pra os lados de Casa Amarela (parece com Salgueiro).

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

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Sou fã de Luiz Gonzaga. Me tornei por causa de sua arte e conhecer sua história só me fez mais fã. Ele se tornou para mim não mais um artista, mas um homem cheio de virtudes e falhas, e tudo isso está na sua arte. Mas eu conheci seu trabalho bem antes do filme lançado no ano do seu centenário, já leio e procuro material bem antes da "vibe" de homenagens.

Fui assistir Gonzaga - De pai para filho sabendo um monte daquela história que seria contada. No começo eu via a liberdade poética e ficava mimizando sozinho ou para Marcela. Arengava no meu interior quando algo desviava das histórias que já lera ou ouvira antes. Até que eu desliguei meu modo fanboy, aceitei e entendi a proposta do filme! Aí o filme decolou como um foguete de São João. 


Em primeiro lugar o filme não parece e não tem nada de semelhante a Dois filhos de Francisco, o que foi meu primeiro grande alívio. Gostei muito quando vi a história dos Camargo no cinema, mas é um filme para uma vez só e ponto. Temi pelo Rei quando soube que o diretor era o mesmo.

Em segundo lugar, o filme não é sobre Luiz Gonzaga (eu entrei no cinema esperando a história dele e a história de Gonzaguinha como pano de fundo de luxo), o longa aborda uma história sobre a relação de Gonzagão e seu filho Gonzaguinha. A história do Rei do Baião é apenas um fio condutor para apresentar essa relação. Foi na forma que essa história foi contada que eu passei pela fase de rejeição e aceitação comentada acima... Nessa resenha nem vou ficar comentando o que aconteceu e o que não aconteceu, o que foi colocado numa hora errada nem nada. Marcela me mostrou que ninguém vai querer saber  :D

Cada um dos personagens principais é mostrado em 3 fases de suas vidas. Mestre Lua é  apresentado como meninote sanfoneiro, que se torna adulto (indo de "milico" que nunca deu um tiro a astro pop) e por fim um senhor muito do estiloso. Gonzaguinha começa como um moleque que quer ser bicho solto no Morro do São Carlos, depois se torna um adolescente que faz música de comunista e, por fim, um músico com luz própria e pinta de "fodão", mas que no fundo é muito fragilizado no que se refere ao famoso pai.


Na minha opinião, o elo fraco dos 3 Gonzagões é Chambinho... o sanfoneiro consegue até se sair bem, visto que não é ator, mas faltou expressão... O Gonzagão novo se sai bem e o velho se sai muito bem! Ele conseguiu até me fazer esquecer de prestar atenção na sua voz (que é bem aguda, meio fanha e me incomodou muito no início do filme). Já os 3 Gonzaguinhas dão show, com destaque para o adulto. Ele está idêntico a Gonzaguinha e sua relação com Gonzagão está emocionante e visceral. Os melhores momentos do filme (isso se você não levar em conta as cenas de alívio cômico) estão na relação Gonzagão e Gonzaguinha, principalmente por causa da atitude agressiva que o filho faz questão de manter. O Mestre Lua é como um mestre que ensina seu filho a não ser tão raivoso, ao mesmo tempo em que ele mesmo aprende com o filho a ser mais carinhoso e paternal. A cena da carteira é fantástica.

No fim das contas, Gonzaga - De pai para filho é um ótimo filme que deve ser conferido e apreciado. É uma ótima oportunidade de conhecer dois grandes nomes da música brasileira e um pouco da história deles e da própria música nacional. Não posso deixar de comentar a trilha sonora lindíssima e recheada de clássicos dos 2 artistas.

Rodolfo Nícolas achou que essa resenha ia sair no Pajaracas.
Marcela Balbino chorou pitangas no cinema.