terça-feira, 30 de abril de 2013

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Eu não curto programar viagens. Acho que decidir tim-tim por tim-tim todos os pontos que serão visitados, lugares que serão conhecidos e estabelecer todos os horários meses ou semanas antes da chegada não me excita nem um pouco. Uma pesquisada geral, para não ser pego de surpresa ou errar o óbvio, são suficientes para manter um pouco do espírito aventureiro. Na minha googlada sobre o Chile para duas coisas eu apontei e disse que deveria. Falei: "Eu devo"! Uma delas era o Moai , em Viña del Mar.
Olá seu Moai...
O Moai de Viña del Mar fica nos jardins do Museo Fonck e para vê-lo não é preciso pagar nada (na pracinha ao lado há uma escultura de Rodin, La Defensa, que é protegida apenas pelo vento e pelo sol... nem chumbada no chão é). É legal conhecer um pouco dessas figuras para entender um pouco do fascínio que as histórias que envolvem a Ilha de Páscoa exerce sobre mim. Logo abaixo há uma gravação curtinha, de 2 minutos, que o guia passou para a gente durante a viagem. Cliquem no play que saberão mais sobre a Ilha e o Moai.


Dentro do Museo Fonck, se não me engano são 2 ml pesos para entrar, você encontra além da tradicional lojinha de artesanato um acervo sobre os povos nativos do Chile como o povo Rapanui e Mapuche, por exemplo. Há momentos mais tensos como as cabeças encolhidas e uma ou outra ossada. Na verdade não há nada mais tenso que as cabeças encolhidas... Há também um museu de história natural com muitos insetos e animais empalhados, além de um espaço reservado para uma coleção de brinquedos!
UuuUUuUuuUuuu...
Na minha singela opinião a visita ao Moai de Viña del Mar foi um dos grandes momentos no Chile. Inclusive Marcela adorou tirar fotos com a figura pedregosa, tanto que fomos lá duas vezes (também fomos comprar "lapislazuli").
Fiquem com uma série de belas fotos abaixo.

Rodolfo Nícolas e Marcela Balbino acreditam!

O bonito jardim do Moseo Fonck
Então quer dizer que eles faziam machados?
No Chile, os bodinhos tem duas cabeças
O Moai sempre tá com esse semblante sisudo independente do ângulo
Olha a tetinha do Moai ihihihi

quarta-feira, 24 de abril de 2013

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Todo carnívoro que se preze passa por aqueles momentos na vida em que a coisa mais importante é saborear um bom hambúrguer. Não aqueles mirradinhos de fast food, mas um bom pedaço de carne, 120 gramas, com saladinha e molho delícia. Conduzidos por nosso instinto de sobrevivência, eu e o meu fotógrafo testamos para nossos lindos leitores duas novas hamburguerias no Recife.
Alguém muito esperto pensou nisso (vide a era das ciclofaixas)

BOA VIAGEM
A melhor das duas, disparadamente, foi a Mooo. Sorte a minha que ela fica em Boa Viagem, lá no final da Avenida Domingos Ferreira, bem longe da minha casa, senão, eu ia querer morar nela! Primeiro que o local é lindo de viver. Segundo, tudo que a gente pediu estava uma delícia. Desde a entrada (chips de batata com molho gorgonzola) até a sobremesa (waffle com sorvete de baunilha e calda de chocolate – tão bom que a gente quase não conversou enquanto devorávamos essa belezinha).


Cristo misericordioso... há uma plantinha no sorvete, e o que é pior é que eu a comeria!
Mas, voltando ao foco desta resenha, os hambúrgueres. Eu fui no tradicional bovino com molho. Delícia! A carne tava bem temperada e na quantidade certa. Já o menino escolheu o Sertão (ou seria Sertanejo?) de carne de sol e queijo coalho, com direito até a manteiga de garrafa. Segundo ele, estava ótimo também, mas, já nas últimas mordidas, ele achou que a carne de sol na verdade era bode.

No cardápio da Mooo também têm wraps e saladas, que, conforme espiei na mesa do lado, estavam com uma cara ótima também! Achei os preços justos. Os hambúrgueres variam de R$ 19,99 a R$ 23.99. Os demais pratos não passam de R$ 21,99. Ah, outra coisa legal é o aplicativo para smartphone que eles tem que funciona como uma junkebox virtual.
Alguém sabe onde é ministrado esse curso de caligrafia avançado com giz?
ZONA NORTE
A outra hamburgueria que fomos foi a Kwai, nos Aflitos. Vindo pela Rua do Futuro, pouco depois do Parque da Jaqueira, não tem como não ver dois grandes containers onde ela funciona. O espaço é bem pequenino, mas uma fofura. Também achei legal uma promoção que eles tem para os amantes do Instagram, onde você posta a foto do seu quitute e torce para todo mundo curtir e você ganhar um brinde.
Isso é alho no hamburguer? Show!
Os preços são bons e tem hambúrger a partir de R$ 9,90. Mas, apesar de tudo isso, achei que, gastronomicamente, ele deixou um pouco a desejar. O meu foi de frango, mas a carne parecia processada, além de que tava meio salgada.

Depois fiquei pensando que deveria ter pedido um sanduíche. Eles tem várias opções, entre elas salaminho, peru defumado, mortadela e cachorro quente. Por isso, resolvemos que vamos dar uma segunda chance ao Kwai. Na próxima vez, vamos no final da tarde, devorar um sanduba acompanhado de uma geladíssima Budweiser ou até mesmo uma Heineken.

Lorena Tapavicsky aceita convites para voltar na Mooo em qualquer dia.

sábado, 20 de abril de 2013

RecifEstranhO foi conferir o primeiro dia do Abril pro Rock 2013, mas tudo isso só foi possível por causa da Baba Yaga, que patrocinou nossa ida (é... nosso orçamento está curto e estamos em busca de patrocínios mil). Na noite tocaram Tagore, Marcelo Jenocídio, Television, Móveis Coloniais de Noda de Cajú e outras paradas lá. Confira com a gente as alegrias e agouros da noite.
Começou com pouca gente...
A sexta-feira chuvosa do dia 19 (obóviamente de abril) atrapalhou em muito a chegada do público ao Chevrolet Hall (ou simplesmente deu preguiça e muita gente resolveu não sair de casa). A pernambucana Tagore começou a tocar para um pequeno punhado de pessoas lá pelas 20h30, mantendo o histórico de pontualidade do Abril (já saliento que os 2 palcos funcionaram fantasticamente bem, sem descanso entre uma banda e outra). Nunca tinha ouvido a Tagore (nem a maioria das bandas da noite), mas achei o som deles bem legal. Algumas horas tinha algo regionlista, outras mais hardcore e devo admitir, quando eles tocaram um cover do Ave Sangria me conquistaram. Depois seguiram dois shows que não empolgaram e achei bem sacais... Babi Jaques e os Siciliano (PE) não chamaram muito a minha atenção com sua proposta rock cinquetista e performático e Silva (ES) parecia que não encaixava nele mesmo.

A clássica banda Television (EUA) fez um ótimo e competente show, sendo que os jornalistas não encontravam ninguém que conhecesse a banda para dar uma entrevista. Mas isso não atrapalhou a apresentação para o, já um pouco mais cheio, Chevrolet. Volver (PE) foi outra banda que fez um bom show mas que em nada me lembrou aquele que vira em 2000 e bolinha na concha acústica da UFPE... tava faltando presença e empolgação, pouco The Fevers e muito Los Hermanos...
Em Jeneci e Television já tinha mais um punhado
Para mim o ponto alto da noite foi com Marcelo Jeneci, que assumiu um visual muito Los Hermanos, com uma barbona enorme e olheiras cinzas (inclusive ele subiu ao palco e eu fiquei imaginando que era alguma participação especial de Marcelo Camelo). Ele fez uma bela homenagem ao aniversário de Roberto Carlos cantando a fodônica "O Astronauta". De longe, o grande momento da noite. Poderia cair uma bomba ali e acabar logo com tudo que tava difícil ter algo melhor. Nem vou falar das outras músicas, só dessa agora. Aquela menininha que canta com ele (Laura Lavieri) tocou o terror nuns graves muito loucos que reverberavam no saguão do Chevrolet. Muita gente ali só deve ter percebido que era uma música de RC quando ele falou, já após a execução da canção, mas minha sagaz irmã percebeu logo nos primeiros acordes. Nesses momentos percebo que sou apenas um jovem padawan perto da minha mãe e da minha irmã no que diz respeito ao Rei. Jeneci deu uma cara mais suja e, porque não, romântica a música... Mas um romance em seus momentos conturbados e complicados.


Os dois últimos shows foram de Siba (PE) e Móveis Coloniais de Acajú (DF). Siba como sempre fez seu previsível show de uma música só (é... parece com show de metal extremo, uma música só do início ao fim) com o ponto alto na música em que o carnaval acaba. Móveis mal cabia no palco com 40 pessoas na banda e fez lá seu show estilo Los Hermanos com saltos (finalmente descobri qual a verdadeira inspiração do Mamelungos). Não me diverti muito, mas meu ex-estagiário Pedro é fã, então tem seus méritos.

Daqui a pouco tem o dia mais pesado e com o apoio da Baba Yaga (que está no Abril pra Moda) estaremos lá.

Desculpem as fotos, mas nossa fotógrafa especial não pode ir, então as fotos foram do meu telefone mesmo.

Rodolfo Nícolas achou Astronauta - Magnetar - muito foda.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

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Este post é dedicado aos leitores que trabalham no Centro do Recife. Aqueles que, assim como eu, almoçam rapidinho na empresa e logo voltam para o trabalho. Nas quintas-feiras nossos horários de almoço podem ser mais bem aproveitados!

Corre que é de graça. Fonte: Internet
Nesses dias, o Centro Cultural dos Correios realiza o Cine Clube Curta Doze e Meia, que, como o próprio nome já diz, passa filmes de curta-metragem, sempre às 12h30. E, o melhor, de grátis! Perfeito para você que gosta de cinema e fica #chatiado por não gozar plenamente das horas de almoço.

O tema deste mês é “Cinema de Estrada”. Fui pela primeira vez na quinta, dia 11, com minha colega Suzan. Assistimos quatro curtas: Felicidade é...Estrada (RS), As paralelas (RJ), Chapa (SP) e Biodiversidade (PE). O auditório do Centro Cultural é ótimo, com cadeiras confortáveis e ar-condicionado.

Sempre que der voltaremos lá. Vamos, com certeza, na última quinta deste mês, quando vai passar “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz. Tô louca pra ver faz tempo!

Curtiu a ideia? Então dá uma olhada no que vai rolar nos próximos dias e programe-se:

Quinta-feira (18)
- Zambação (SP), 6 min
- Flores da Estrada (RJ), 18 min
- Estrada (SP), 9 min
- Trecho (MG), 17 min
- Numa Beira de Estrada (RJ), 12 min

Quinta-feira (25)
- Viajo porque preciso, volto porque te amo (PE), 76 min
- Lapso (RJ),  10 min

Para mais informações, acesse http://www.curtadozemeia.blogspot.com.br

Lorena Tapavicsky almoça correndo nas quintas-feiras.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Chile, Pais mais comprido da América do Sul. Frio. Cordilheira dos Andes. Um lugar estranho. VIVOS! Toc, toc, toc. Eu sou Rodolfo Nícolas e com os poderes a mim concedidos, por mim mesmo, vou apresentar-lhes os locais onde nos hospedamos enquanto estávamos nas pradarias chilenas. Ieeeeeeennn (som de porta abrindo).

Hospedaje --> Hospedagem
Impomos poucas condições a nós mesmos e aos nossos bolsos quando fomos escolher a estadia: quarto e banheiro privativos. Não contei a minha companheira, mas um dos motivos foram as minhas viagens como atleta salgueirense. Os jogos aconteciam no Colégio Santos Dummont e muitos dos interioranos ficavam alojados no ginásio. Sortudo como sou, sempre tive família aqui na capital, o que me fornecia automaticamente cama quente e estadia tranquila para meu matulão. Mas eu via meus colegas sofrendo ao compartilhar quartos com estranhos e principalmente o estado dos banheiros... Bem, os Hostels por onde passamos se mostraram lugares muito civilizados e dificilmente encontraríamos aquela situação calamitosa de minha época de enxadrista (mas pra quê arriscar?). Também conta que se o dinheiro minguasse era possível economizar alguns dólares mudando do quarto privativo para um com mais pessoas.

Nossa primeira parada seria em Santiago e quem melhor que nossos mochileiros do coração Nathalia e Luiz para nos indicar um lugar? Eles falaram dos bairros e de alguns albergues. Daí começamos nossa procura na internet - a rede mundial de computadores. Vimos vários locais e vários preços. Em todas as pesquisas tivemos muita ajuda de sites como trip advisor, mochileiros.com e de blogs com depoimentos de outros viajantes.

SANTIAGO - O INÍCIO
Aportamos no La Casa Roja (lê-se rôrrá), que fica na Avenida Brasil il il, situado em um bairro universitário bem tranquilo da capital chilena. Só como curiosidade, em todas as cidades que ficamos havia uma Avenida Brasil, uma Carminha, um Tufão e um Pereirinha (ihihihihi). Nossa estadia foi acertada pela internet e pagamos 10% antecipado no cartão de crédito. Para garantir nosso quarto com banheiro privado desembolsamos 52 pilas americanas (dólares) pela diária. O casarão onde fica a Casa Roja é muto agradável, os atendentes e funcionários são bem prestativos e mesmo quando não falam sua língua se esforçam para entender as mímicas. Há uma bonita área para churrascos, festinhas, cochilos e uma piscina. Os únicos contras foram as toalhas que estavam meio sinistras, o café da manhã e o lixo que não havia sido retirado do quarto. O cômodo, por sinal, era enorme e pouco mobiliado, o que dava um certo desconforto. Ia esquecendo, mas ir ao balcão da recepção era garantia de boa música. Eles sempre estavam escutando alguma rádio que só tocava rock de qualidade (assim como praticamente todos os lugares do Chile que fomos).
Marcela sempre quis tirar uma foto assim, tipo IT Girl. A foto é para mostrar a entrada  do banheiro

Tapete bonito na parede
VIÑA DEL MAR
Após três noites em Santiago, rumamos para as cidades de Viña Del Mar e Valparaíso, as cidades irmãs e coladinhas, tipo Recife e Olinda. Passamos apenas uma noite na cidade e, num rompante de aventura, ficamos na hospedagem da empresa que fizemos o passeio turístico. Era um lugar bem estranho... era uma casa com uma portinha e dentro uma sala enorme com uma mesinha de fiscal de terminal de ônibus. O guia estava meio desencontrado com o atendente e parecia que o lugar estava vazio e que éramos os únicos hóspedes. Mais toalhas sinistras.

Pela primeira vez nos encontramos com o chuveiro em formato de ducha, e tivemos muita dificuldade em lidar com isso. Nos sentimos meio desprotegidos naquele lugar e lá foi a primeira vez que assistimos televisão no Chile. Ficamos até tarde olhando a TV e o trinco da porta, tentando ouvir qualquer barulho estranho. A sensação de que teríamos nossos órgãos roubados era imensa... Mas nada de ruim aconteceu e Marcela ainda deu um zignal no recepcionista e ao invés de sairmos doze e meia saímos lá pelas quinze horas. Custou 20.000 pesos (USD 40).

Vale destacar que a estadia era bem localizada e ficava próximo ao Terminal de Ônibus, shopping, padaria, pontos históricos...Nessa experiência descobrimos que viajar também é sinônimo de confiar em desconhecidos. É difícil, mas vale o exercício.

Disfarçado para fugir e não pagar uma diária a mais por causa do atraso

PUCÓN

Na nossa penúltima parada, nos hospedamos no Hostal Carmen, em Pucón. Esse foi, sem dúvidas, o melhor e mais aconchegante local de toda nossa vida Chilena. Carmen não tinha toalhas sinistras nem toalha nenhuma, mas todos os dias ela conversava agradavelmente com a gente na cozinha da sua casa ou, simplesmente, pelos corredores nos dando dicas da cidade ou falando sobre os costumes de seu País. O quarto era super arrumadinho com uma cama gostosa e silenciosa, ótimas prateleiras e cabides para guardar nossos sucos, roupas e apetrechos. O banheiro também tinha a ducha gigante e era bem apertadinho, o que embaçava o espelho e dava para deixar recadinhos de amor para o próximo usuário.


Carmen foi o único local em que realmente nos sentimos suficientemente bem recebidos e confortáveis para utilizar a cozinha, seja para cozinhar ou para ficar de bobeira. No último dia, ela ainda guardou nossas bagagens atrás do aquecedor - igual aquele do episódio da fome de Pica-pau - enquanto passeávamos pela cidade (nossa estadia acabou às 12h, mas o bus só saia às 19h30). Foi o único lugar que nos deixou saudade. Por 42 dólares, por dia, você também pode desfrutar destes encantos.
Área da gente em Pucón
As salsichas no Chile são branquinhas e desbotadas... não são feitas para cozinhar com molho
Corredor principal
Esse Watt tava ótimo
Foto do cantinho é sempre charmoso, dá muitos acessos
SANTIAGO - O FIM
Voltando a Santiago resolvemos conhecer um pouco do Bairro da Bellavista, no último dia, e ficamos em uma pousada homônima. Era um lugar suuuper transado, u-hu, cheio de arte pelas paredes, áreas comuns, sofás, televisões, um gato e era enorme mesmo. Também era cheio de presentinhos dos que já se hospedaram por lá, fotos, bandeiras, cartões e até camisas de times como São Paulo e Atlético Mineiro (mas não do Salgueiro e eu que não deixaria meu manto sagrado lá). Tava tudo muito bom, tava tudo muito bem, mas pela primeira vez ficamos num quarto com banheiro compartilhado e ele ficava no anexo da casa principal. Agora pare (pegue no compasso, tá, brincadeira...), pense no terror que sentimos na estadia em Viña Del Mar... Aqui ele se concretizou por outros meios, não por medo, mas por dor. Muita dor. O nosso quarto ficava no anexo ao lado da casa principal e o terror ficava no banheiro. O chuveiro duchinha estava lá, mas a água quente não... a água descia tão fria que o cano suava... doía na pele quando batia. Doía como se fossem agulhas furando a pele ou facas cortando tiras do couro. Eu até procurei o sangue escorrendo no meio da água, mas como não vi nada vermelho achei que deveriam ser facas quentes que já cauterizavam as feridas. A estadia saiu por 52 dólares. Esqueci de maiores detalhes deste local, só me lembro da dor...

Vale muito a pena ficar em albergues se você for viajar pelo Chile. Aprendemos que é importante fazer uma boa pesquisa antes de escolher os locais, de preferência já saber os locais de estadia antecipadamente para evitar que aconteça o que nos aconteceu em Viña Del Mar. No mais, nossas grandes sugestões são La Casa Roja, em Santiago, e Hostal Carmen, em Pucón.

Links comentados:

Rodolfo Nícolas acha o banheiro privado necessário.
Marcela Balbino escolheu a estadia em Viña.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

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A vontade de 'ascender ao volcán Villarrica' nos perseguia desde o momento em que Nathalia e Luiz voltaram do Chile. O imponente vulcão com seus 2.847 metros, localizado na cidade de Villarrica (mas todo mundo para em Pucón) - a dez horas de ônibus de Santiago - nos acompanhava aonde quer que andássemos. Era tipo um adversário nos desafiando a todo instante. Eu e Rodolfo, super na ingenuidade, sabíamos que vencê-lo seria um desafio, mas achávamos que com determinação atingiríamos o cume. Pesquisamos em sites de mochileiros, procuramos agências, fizemos planos, levamos camisas do Salgueiro, mas faltou o essencial, a maldita bendita preparação física. hahahaha. As cervejinhas e cachaças nas sextas, as comidinhas e resenhas no fim de semana vieram à tona "de forma assim tão caudalosa".
A natureza indomada
Quando chegamos à cidade, mesmo eu estando com muito medo, fomos procurar uma agência bacana e segura. Andamos um pouco por Pucón, que fica a 30 minutos de Villarrica e é bem pequena, achamos uma chamada Vulcán Villarrica. A subida custava $35.000 pesos chilenos, o equivalente a R$ 160 aproximadamente, e incluía a presença dos guias (óbvio!), transporte e todos os equipamentos necessários para a subida. Pesquisamos na internet e encontramos algumas pessoas falando mal da empresa. Meu medo aumentou. Na dúvida, fomos direto na Oficina de Informações, situada na Avenida O'Higgins, principal de Pucón. As atendentes são super bacanas e, se der sorte, elas ainda lhe darão uns palpites super pertinentes. Seguindo a dica de uma delas, resolvemos fechar com a empresa Andesmar, também na O'Higgins.


O passeio custou 38.000 pesos, en efectivo (à vista). No cartão de crédito sairia por 45.000. O pacote incluía o equipamento: calça (pantalones), casaco, luvas (guantes), picareta, dois bastões para andar na neve (uns palitos gigantes), botas de trekking, mochila e grampones (para se equilibrar no gelo). A mochila pesava, em média, seis quilos.




Kathy, a simpática atendente da Andesmar, nos passou algumas dicas. É necessário levar água, gatorade, amendoim, chocolate, protetor solar e óculos de sol. Ao longo da subida, o calor é muito grande, principalmente quando chegamos na parte da neve, pois os raios do sol batem no gelo e refletem na gente. 
Antigo caminho da lava
Imensidão branca
Passada a preparação, nossa hora chegou na terça-feira (26). Acordamos cedo, pois às 6h30 devíamos nos encontrar com o guia na frente da agência. O dia amanhecia preguiçoso. Nessa época do ano, o sol nasce umas 7h30. Na rua, só os cachorros nos acompanhavam. Estes, aliás, estão por toda a parte em Pucón (Eles também renderão um texto aqui no blog). Ao chegar na Andesmar, encontramos o guia Gabriel e descobrimos que a subida seria particular (apenas eu e Rodolfo compramos o pacote). Achei ótimo, porque assim nosso tempo seria respeitado. Vestimos os equipamentos e fomos rumo ao Villarrica. O medo quebrava o frio da madrugada.
A beira da estrada havia uma cruz



Meia hora depois, chegamos aos pés do vulcão. O coração acelerava diante de tanta imponência. Mas o sentimento era tão particular que foi difícil de descrevê-lo até para Rodolfo. Fiquei maravilhada com tanta beleza e feliz por ter tido a oportunidade de presenciar aquela manhã tão divina. Tava ansiosa e tensa.

Da altura dos seus olhos não é possível ver isso tudo
Gabriel, o guia, nos informou sobre o teleférico que poderíamos pegar para economizar energia. Topamos, óbvio. O percurso nos custou 7.000 pesos, para cada. Mas valeu muito a pena. Chegamos no ponto de partida, colocamos os capacetes e começamos a subir. Os caminhos eram bem íngremes e havia dezenas de pedras soltas. O equipamento pesava e a respiração estava cada vez mais difícil. Olhava pra cima e respirava fundo. Mentalmente, amaldiçoava Rodolfo por ter me incentivado a fazer a subida. As batatas da minha perna doíam muito, mas eu queria chegar ao topo. Cada passada era uma vitória. Queria chegar ao lado de Rodolfo, pois havíamos prometido subir juntos.
"Lá lá lá, HUM hum Hum" (Marcela com medo de altura cantava no teleférico)
Em relação aos outros grupos, nossa caminhada estava bem lenta e estávamos lascados, era visível. Pessoas de todas as idades compartilhavam o mesma objetivo. A cada parada olhávamos pra trás e pensávamos "porra, já andamos isso tudo?". De parada em parada, fomos nos aproximando cada vez mais do fim. Só que estávamos no limite das forças. Na transição da terra para a neve, colocamos os equipamentos para a caminhada no gelo. Nunca tínhamos visto neve na vida e a sensação foi foda e eletrizante. Não dava muito tempo para refletir, pois devíamos, ao menos tentar, manter o ritmo. Assim que chegamos na parte nevada, Gabriel nos ensinou a usar os equipamentos para o caso de cairmos na neve e tals. Na hora, o medo voltou e eu lembrei do brasileiro que morreu subindo ao vulcão, em 2010. Redobrei a atenção. Recado dado, avançamos em mais uma parte (VALEU POR TER DITO ISSO, NATHALIA!).
Outros caçadores de aventuras
Tentávamos acompanhar o pique do guia, mas o corpo já não correspondia aos comandos. A vontade nos empurrou para frente, mas o cansaço nos puxava para baixo. A falta de preparo físico pesou mais do que a determinação. Fiquei arrasada, mas olhei para Rodolfo e ele também estava exausto e disposto a parar. Nesse momento, na antepenúltima parada, a 400 metros do cume, desistimos. A partir daí, a caminhada era cada vez mais íngreme e considerada a parte mais difícil. Segundo Gabriel, ele estava andando a passos bem lentos e se não conseguíssemos acompanhá-lo era porque estávamos muito cansados. E ele estava certo, porque subir é difícil, mas descer também é complicadíssimo e precisávamos guardar energias para o retorno.

Na hora que paramos, xinguei muito o universo. Tava triste, decepcionada e com vontade de chorar. Depois de vencer mais de 2.400 metros, foi foda desistir. Meu corpo estava no limite, embora minha mente estivesse renovada com a vista. Nessa hora, comecei a refletir com Rodolfo sobre os cumes de cada pessoa. Parece um pouco conformista, mas só de termos chegado ali já foi uma vitória. Olhar a cidade de cima era maravilhoso. Saber que nossas forças nos ajudaram a contemplar aquele fragmento de natureza em seu estágio mais bruto, foi recompensador. A vontade era de chorar de emoção e de agradecimento. Não sou das pessoas mais religiosas, mas naquele momento agradeci a Deus por estar ali, ao lado da pessoa que amo, e poder sentir aquela energia tão forte que fluía da montanha.


No fim, além de exausta, tava com aquela fadiga de quem passa o dia na praia, com o rosto vermelho e o lábio despelando. E olhe que coloquei protetor suficiente. A subida dura, em média, seis horas.




O abominável homem das neves chegando ao topo do vulcão
A vista era de filme publicitário, tipo propaganda de Gatorade. A montanha, a neve, a cidade pequena e mais três vulcões ao fundo. Todos mais altos que o Villarrica. Acho, inclusive, que para subi-los é necessário conhecimento de alpinismo e escalada. O Villarrica é tipo um vulcão nível easy. O esforço é mais pela caminhada. A neve não atrapalhou, pelo contrário andar sobre o gelo era até mais fácil. O problema era que estávamos exaustos após o caminho de pedras. 
Linda!
Fenda no gelo onde Marcela teria caído caso eu não fosse ágil como um carcará
Nessa hora tiramos fotos, olhamos a vista, refletimos sobre as atitudes, fizemos a promessa de respeitar mais nosso corpo e nos cuidarmos melhor e prometemos voltar ao Villarrica para atingir o cume. hahahaha. Acho que todos prometem isso. Espero um dia atualizar esta resenha mudando o final.

Na opinião de Rodolfo, a melhor parte de toda a aventura foi a descida. Na hora de baixar, colocamos um paninho na bunda e descemos escorregando. Fiquei com medo de cair em alguma fenda da neve, por isso fui mais comedida. Rodolfo não. Ele estava louco e fez umas curvas muito radicais (teve uma hora que acho que cheguei a 20 km/h de escorrego). Apesar de todo este meu cuidado, uma hora eu escorreguei na neve e, por pouco, não caí numa grieta (fenda). Mas meu belo namorado me salvou <3! Palmas para ele!
Pedaço do esquife de gelo onde Hyoga de Cisne ficou preso
A descida foi igualmente cansativa e o teleférico não funciona na volta, porque não tem a proteção necessária. Quando voltamos pro carro já eram 15h30. Até o motorista Antônio tirou ondinha com nosso estado crítico. Tava morta de cansada. O pior era ver o povo descendo na boa e ainda nos cumprimentando, enquanto não conseguíamos abrir a boca sequer para dizer "hola".

Chegamos em casa e dormimos muito, mais de 12 horas seguidas (Marcela, eu dormi menos). Estávamos exaustos, mas orgulhosos de termos chegado tão longe. Depois dessa subida, desdenhamos de tudo. hahahaha. Rafting, Canopy. O vulcão nos sugou por completo e foi, sem dúvidas, a experiência mais intensa das nossas vidas. É um encontro com você mesmo e uma descoberta dos seus próprios limites.

Na minha opinião, quem for ao Chile, deve passar por Pucón. Mesmo que não queira subir o vulcão, a cidade é linda e vale os olhares.
"A praça é do povo, como o céu é do condor"
Marcela Balbino é aventureira.

Rodolfo Nícolas, após realizar o salvamento mais cinematográfico da semana, ganhou o título de alpinista honorário com honrarias da Prefeitura de Pucón.

O texto é de Marcela, mas o legendador oficial desse blog é Rodolfo!
Após três anos de namoro, eu e Rodolfo conseguimos fazer nossa segunda grande viagem (a primeira foi para Salgueiro no início do ano passado). Resolvemos que durante dez dias íamos dar um chega pra lá na rotina e aproveitar ao máximo o período. Sem aperreio. Em fevereiro, compramos as passagens para o Chile, por R$ 990 cada uma (pela Tam/Lan). A princípio, o destino seria Machu Pichu, mas as tarifas eram quase o dobro. Além disso, também tínhamos muita curiosidade em conhecer a América do Sul antes de desbravar o Velho Mundo. Adicionando aí a programação feita por Luiz e Nathalia, que viajaram em fevereiro e nos deram várias dicas e conselhos, começamos a organização.
Dois gatinhos na janela. Én énn

Viajamos entre os dias 20 e 30 de março. Os planos de passar pelas cidades de Santiago, Viña del Mar, Valparaíso, Pucón e Villarrica foram cumpridos. Ficamos hospedados em três hostels e num lugar malassombrado, onde tivemos medo de roubarem nossos órgãos. Cruzamos o País de ônibus. Fotografamos cachorros mil. A meta era mergulhar na cultura, no povo, nas tradições chilenas e ficar de bobeira por um país desconhecido. Assim, sem compromisso, na base da observação. Com o olhar ainda virgem, descobrimos belezas nas coisas mais simples. As inevitáveis comparações com o Recife marcaram presença a todo momento. Nas praças usadas pelo povo, na gentileza das pessoas, na segurança de algumas cidades. Nas malas vieram os pensamentos sobre o futuro que queremos ter.

Reflexões à parte, logo logo muitas resenhas para você, nobre leitor!

Ruas coloridas


Hablando Castelhano/Espanhol con Nícolas

Aqui você terá um breve glossário com algumas palavras e expressões necessárias para sobreviver no Chile. Posso garantir que testei e aprovei tudo que está na lista abaixo.*

Telefono Andante - Telefone Celular
?Questo bairro tiene delinquencia? - Tem maloqueiro nesse bairro?
Safo - Desenrolado
Guapa - Gata (bonita)
És una bella guapa - Você está perfeita em sua perfeição
Deculpa mulé - Desculpa meu amor

* Segundo o Dicionário Michaellis, nem tudo que está presente neste dicionário é verídico. Rodolfo, no entanto, usou os termos de forma abundante.

Rodolfo e Marcela agora são do mundo.


Vulcão Villarrica

Casinha por 4 dias

Pucón, a cidade dos cachorros