segunda-feira, 1 de abril de 2013

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Conexão Chile - Subida ao Vulcão Villarrica ou Crônica sobre o que a cerveja e a cachaça podem fazer...

A vontade de 'ascender ao volcán Villarrica' nos perseguia desde o momento em que Nathalia e Luiz voltaram do Chile. O imponente vulcão com seus 2.847 metros, localizado na cidade de Villarrica (mas todo mundo para em Pucón) - a dez horas de ônibus de Santiago - nos acompanhava aonde quer que andássemos. Era tipo um adversário nos desafiando a todo instante. Eu e Rodolfo, super na ingenuidade, sabíamos que vencê-lo seria um desafio, mas achávamos que com determinação atingiríamos o cume. Pesquisamos em sites de mochileiros, procuramos agências, fizemos planos, levamos camisas do Salgueiro, mas faltou o essencial, a maldita bendita preparação física. hahahaha. As cervejinhas e cachaças nas sextas, as comidinhas e resenhas no fim de semana vieram à tona "de forma assim tão caudalosa".
A natureza indomada
Quando chegamos à cidade, mesmo eu estando com muito medo, fomos procurar uma agência bacana e segura. Andamos um pouco por Pucón, que fica a 30 minutos de Villarrica e é bem pequena, achamos uma chamada Vulcán Villarrica. A subida custava $35.000 pesos chilenos, o equivalente a R$ 160 aproximadamente, e incluía a presença dos guias (óbvio!), transporte e todos os equipamentos necessários para a subida. Pesquisamos na internet e encontramos algumas pessoas falando mal da empresa. Meu medo aumentou. Na dúvida, fomos direto na Oficina de Informações, situada na Avenida O'Higgins, principal de Pucón. As atendentes são super bacanas e, se der sorte, elas ainda lhe darão uns palpites super pertinentes. Seguindo a dica de uma delas, resolvemos fechar com a empresa Andesmar, também na O'Higgins.


O passeio custou 38.000 pesos, en efectivo (à vista). No cartão de crédito sairia por 45.000. O pacote incluía o equipamento: calça (pantalones), casaco, luvas (guantes), picareta, dois bastões para andar na neve (uns palitos gigantes), botas de trekking, mochila e grampones (para se equilibrar no gelo). A mochila pesava, em média, seis quilos.




Kathy, a simpática atendente da Andesmar, nos passou algumas dicas. É necessário levar água, gatorade, amendoim, chocolate, protetor solar e óculos de sol. Ao longo da subida, o calor é muito grande, principalmente quando chegamos na parte da neve, pois os raios do sol batem no gelo e refletem na gente. 
Antigo caminho da lava
Imensidão branca
Passada a preparação, nossa hora chegou na terça-feira (26). Acordamos cedo, pois às 6h30 devíamos nos encontrar com o guia na frente da agência. O dia amanhecia preguiçoso. Nessa época do ano, o sol nasce umas 7h30. Na rua, só os cachorros nos acompanhavam. Estes, aliás, estão por toda a parte em Pucón (Eles também renderão um texto aqui no blog). Ao chegar na Andesmar, encontramos o guia Gabriel e descobrimos que a subida seria particular (apenas eu e Rodolfo compramos o pacote). Achei ótimo, porque assim nosso tempo seria respeitado. Vestimos os equipamentos e fomos rumo ao Villarrica. O medo quebrava o frio da madrugada.
A beira da estrada havia uma cruz



Meia hora depois, chegamos aos pés do vulcão. O coração acelerava diante de tanta imponência. Mas o sentimento era tão particular que foi difícil de descrevê-lo até para Rodolfo. Fiquei maravilhada com tanta beleza e feliz por ter tido a oportunidade de presenciar aquela manhã tão divina. Tava ansiosa e tensa.

Da altura dos seus olhos não é possível ver isso tudo
Gabriel, o guia, nos informou sobre o teleférico que poderíamos pegar para economizar energia. Topamos, óbvio. O percurso nos custou 7.000 pesos, para cada. Mas valeu muito a pena. Chegamos no ponto de partida, colocamos os capacetes e começamos a subir. Os caminhos eram bem íngremes e havia dezenas de pedras soltas. O equipamento pesava e a respiração estava cada vez mais difícil. Olhava pra cima e respirava fundo. Mentalmente, amaldiçoava Rodolfo por ter me incentivado a fazer a subida. As batatas da minha perna doíam muito, mas eu queria chegar ao topo. Cada passada era uma vitória. Queria chegar ao lado de Rodolfo, pois havíamos prometido subir juntos.
"Lá lá lá, HUM hum Hum" (Marcela com medo de altura cantava no teleférico)
Em relação aos outros grupos, nossa caminhada estava bem lenta e estávamos lascados, era visível. Pessoas de todas as idades compartilhavam o mesma objetivo. A cada parada olhávamos pra trás e pensávamos "porra, já andamos isso tudo?". De parada em parada, fomos nos aproximando cada vez mais do fim. Só que estávamos no limite das forças. Na transição da terra para a neve, colocamos os equipamentos para a caminhada no gelo. Nunca tínhamos visto neve na vida e a sensação foi foda e eletrizante. Não dava muito tempo para refletir, pois devíamos, ao menos tentar, manter o ritmo. Assim que chegamos na parte nevada, Gabriel nos ensinou a usar os equipamentos para o caso de cairmos na neve e tals. Na hora, o medo voltou e eu lembrei do brasileiro que morreu subindo ao vulcão, em 2010. Redobrei a atenção. Recado dado, avançamos em mais uma parte (VALEU POR TER DITO ISSO, NATHALIA!).
Outros caçadores de aventuras
Tentávamos acompanhar o pique do guia, mas o corpo já não correspondia aos comandos. A vontade nos empurrou para frente, mas o cansaço nos puxava para baixo. A falta de preparo físico pesou mais do que a determinação. Fiquei arrasada, mas olhei para Rodolfo e ele também estava exausto e disposto a parar. Nesse momento, na antepenúltima parada, a 400 metros do cume, desistimos. A partir daí, a caminhada era cada vez mais íngreme e considerada a parte mais difícil. Segundo Gabriel, ele estava andando a passos bem lentos e se não conseguíssemos acompanhá-lo era porque estávamos muito cansados. E ele estava certo, porque subir é difícil, mas descer também é complicadíssimo e precisávamos guardar energias para o retorno.

Na hora que paramos, xinguei muito o universo. Tava triste, decepcionada e com vontade de chorar. Depois de vencer mais de 2.400 metros, foi foda desistir. Meu corpo estava no limite, embora minha mente estivesse renovada com a vista. Nessa hora, comecei a refletir com Rodolfo sobre os cumes de cada pessoa. Parece um pouco conformista, mas só de termos chegado ali já foi uma vitória. Olhar a cidade de cima era maravilhoso. Saber que nossas forças nos ajudaram a contemplar aquele fragmento de natureza em seu estágio mais bruto, foi recompensador. A vontade era de chorar de emoção e de agradecimento. Não sou das pessoas mais religiosas, mas naquele momento agradeci a Deus por estar ali, ao lado da pessoa que amo, e poder sentir aquela energia tão forte que fluía da montanha.


No fim, além de exausta, tava com aquela fadiga de quem passa o dia na praia, com o rosto vermelho e o lábio despelando. E olhe que coloquei protetor suficiente. A subida dura, em média, seis horas.




O abominável homem das neves chegando ao topo do vulcão
A vista era de filme publicitário, tipo propaganda de Gatorade. A montanha, a neve, a cidade pequena e mais três vulcões ao fundo. Todos mais altos que o Villarrica. Acho, inclusive, que para subi-los é necessário conhecimento de alpinismo e escalada. O Villarrica é tipo um vulcão nível easy. O esforço é mais pela caminhada. A neve não atrapalhou, pelo contrário andar sobre o gelo era até mais fácil. O problema era que estávamos exaustos após o caminho de pedras. 
Linda!
Fenda no gelo onde Marcela teria caído caso eu não fosse ágil como um carcará
Nessa hora tiramos fotos, olhamos a vista, refletimos sobre as atitudes, fizemos a promessa de respeitar mais nosso corpo e nos cuidarmos melhor e prometemos voltar ao Villarrica para atingir o cume. hahahaha. Acho que todos prometem isso. Espero um dia atualizar esta resenha mudando o final.

Na opinião de Rodolfo, a melhor parte de toda a aventura foi a descida. Na hora de baixar, colocamos um paninho na bunda e descemos escorregando. Fiquei com medo de cair em alguma fenda da neve, por isso fui mais comedida. Rodolfo não. Ele estava louco e fez umas curvas muito radicais (teve uma hora que acho que cheguei a 20 km/h de escorrego). Apesar de todo este meu cuidado, uma hora eu escorreguei na neve e, por pouco, não caí numa grieta (fenda). Mas meu belo namorado me salvou <3! Palmas para ele!
Pedaço do esquife de gelo onde Hyoga de Cisne ficou preso
A descida foi igualmente cansativa e o teleférico não funciona na volta, porque não tem a proteção necessária. Quando voltamos pro carro já eram 15h30. Até o motorista Antônio tirou ondinha com nosso estado crítico. Tava morta de cansada. O pior era ver o povo descendo na boa e ainda nos cumprimentando, enquanto não conseguíamos abrir a boca sequer para dizer "hola".

Chegamos em casa e dormimos muito, mais de 12 horas seguidas (Marcela, eu dormi menos). Estávamos exaustos, mas orgulhosos de termos chegado tão longe. Depois dessa subida, desdenhamos de tudo. hahahaha. Rafting, Canopy. O vulcão nos sugou por completo e foi, sem dúvidas, a experiência mais intensa das nossas vidas. É um encontro com você mesmo e uma descoberta dos seus próprios limites.

Na minha opinião, quem for ao Chile, deve passar por Pucón. Mesmo que não queira subir o vulcão, a cidade é linda e vale os olhares.
"A praça é do povo, como o céu é do condor"
Marcela Balbino é aventureira.

Rodolfo Nícolas, após realizar o salvamento mais cinematográfico da semana, ganhou o título de alpinista honorário com honrarias da Prefeitura de Pucón.

O texto é de Marcela, mas o legendador oficial desse blog é Rodolfo!

6 Reactions to this post

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  1. Hanaty disse... 3 de abril de 2013 11:09

    A parte que Marcela descreve a "decepção" por estar cansada e não conseguir continuar, e ainda culpa o coitado do Rodolfo (ágil como um carcará), é de matar, viu!?? kkkkkkkkkkkkkkkk
    Marceleide, que bom que você conseguiu de certa forma não levar esse sentimento todo a diante... Vocês tavam no Chile, vivendo um monte de coisa bacana, curtindo, desbravando a subida pro vulcão... não conseguir chegar até o fim, frente a isso tudo, era de verdade só um detalhe!! Não se leve tão a sério das próximas vezes! :p
    Os posts estão divertidíssimos, e eu já tô ansiosíssima pelos próximos! Tá uma delícia acompanhar as aventuras de vocês! :D

  2. loreal disse... 3 de abril de 2013 15:49
    Este comentário foi removido pelo autor.
  3. Lorena disse... 3 de abril de 2013 16:02

    Valha me Deus! Vamo aproveitar as ciclofaixas móveis e a requalificação do Parque da Jaqueira pra fazer um exercíciozinho, né? Fiquei cansada com o cansaço de vcs ;) Mas as fotos estão ótimas!

  4. Mas, Cela disse... 3 de abril de 2013 17:39
    Este comentário foi removido pelo autor.
  5. Mas, Cela disse... 3 de abril de 2013 17:40

    é, Lore, vou tomar uns `shakes e chás da Herbalife e andar um pouco mesmo. Exagerei na parte do cansaço, mas é pq foi mt foda. hahahaha.
    Hanaty, estamos esperando a sua resenha sobre a Disney. Ah, Lorena, também esperamos a sua resenha sobre os pubs irlandeses. kakakakka

  6. Hanaty disse... 4 de abril de 2013 12:18

    Só a moçada internacional! uhuhuhuh
    hahahah....

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