quinta-feira, 23 de maio de 2013

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Já no primeiro dia de nossas andanças pela capital portenha vimos que brasileiro brota feito praga na terra do tango. Sinceramente, acho que vi mais argentino no litoral sul de Santa Catarina do que na própria Buenos Aires. Mas isso não tirou o charme da nossa viagem. Era só identifica-los pela roupa e passar longe. Com um guia gratuito na mão e um mapinha para nos orientar, decidimos desbravar a cidade a pé mesmo durante os quatro dias em que estivemos por lá. Dividimos os passeios por região e aproveitamos as delícias – tanto visuais quanto gastronômicas – que a segunda maior área metropolitana da América do Sul tem a oferecer.
Uma graciosa senhora cheira uma flor enquanto um espantalho vigia as ruas
Primeiro, quero dizer que Buenos Aires é linda. A arquitetura de prédios baixos e antigos no Centro, os parques, praças e ruas históricas que foram palco de tantos protestos nos dão a impressão de que lá o tempo parou. Ficamos hospedados na região central, mais conhecida por Microcentro. De lá, dá para fazer tudo a pé, com disposição e vontade de se aventurar. O local escolhido foi o Hotel Mundial, um centenário, charmoso e acolhedor edifício localizado em plena Avenida de Mayo, uma via que respira história. Ela é o caminho entre o Congresso da Nação Argentina e a Casa Rosada, sede do poder executivo. Já foi cenário de manifestações sociais portenhas e é por onde passam os panelaços quase que diários contra os desmandos do governo.
As coloridas ruas d'a Boca
Pode-se chegar a Buenos Aires por dois aeroportos: Aeroparque, a 20 minutos do Centro, e por Ezeiza, que fica a 35 quilômetros da cidade (ou uma hora de ônibus sem trânsito). A passagem para o mês de abril custou mais ou menos R$ 1.200, com as taxas, ida e volta por pessoa. Se chegar pelo Aeroparque, pode pegar ônibus ou táxi. Mas como a cidade vive engarrafada, melhor optar pelo bom e velho coletivo que, aliás, só aceita moedas no pagamento. E você tem que dizer onde quer descer para que o motorista diga quanto você precisa pagar. Troque logo os pesos e peça muchas monedas.

Turista de primeira viagem, regra geral, quer conhecer as referências, os lugares mais comentados por quem já foi e onde todo mundo “tira foto (...) pra postar no Facebook” (BOLA, Mc). O problema é que nem sempre esses são os melhores locais para conhecer. A Calle Florida, por exemplo, é uma delas. Trata-se da rua do consumismo, cheia de lojas de marcas e de brasileiros ensandecidos cheios de sacolas. Eu mesma não curti.

Nessa via, o que mais se ouve é “câmbio?”. Não, não é para testar a comunicação. São pessoas oferecendo troca de moedas pesos por real, dólar ou euro. Os preços são acima do oficial (no banco, um real valia 2,5 pesos; na rua, 3 pesos). Mas é preciso ter cuidado porque há muitas notas falsas circulando e eu não sei como funciona o mercado negro... É importante não andar de bobeira nessa rua nem nas demais. No vuco-vuco, senti minha mochila sendo puxada e depois vi que um bolsinho frontal estava aberto. Ainda bem que não levaram nada.

PUERTO MADERO
É o lugar mais incrível de toda Buenos Aires. Imaginem o Cais José Estelita e os armazéns reformados, repletos de restaurantes, cafés e bares, com uma área extensa para caminhar e pessoas aproveitando a vista linda para o rio! O bairro, que antes recebia passageiros e mercadorias de embarcações e carregava consigo problemas sociais, virou ponto turístico em 1989. A requalificação atraiu construções modernas e transformou o local em área nobre. Lá, é mais interessante ir à tarde, ver o por-do-sol, sentar nos banquinhos e namorar. Dois navios-museus ficam atracados e são abertos à visitação. Por dois míseros pesos (menos de um real), nós entramos na Fragata ARA Sarmiento. Dá para conhecer história de marinheiro, ver os objetos utilizados no século 19 e tirar lindas fotos com o tema navy. À noite, também é um passeio romântico se quiser ir jantar com a companhia de um vinho. É comum também as pessoas andarem de patins pelo calçadão.
O museu navio Buque que fica em águas argentinas, mas parece que tem bandeira uruguaia
Uma harpa gigante no meio de Buenos Aires
LA BOCA

Toda vez que eu via fotos de amigos que foram à Argentina, eu ficava encantada com aquele fundo de casinhas coloridas, o Caminito. Como ele fica no meio de uma comunidade num bairro estigmatizado, o La Boca, todos diziam para termos cuidado, que é perigoso e tal. Os próprios moradores dizem para ter cuidado com os pertences. Acho que é a mesma coisa de andar pelo centro do Recife, em termos de segurança. Mas eu coloquei na cabeça que queria ir. E ponto. Fomos. O caminho até chegar lá, a pé, só é tranquilo se você for pela avenida principal, que não lembro o nome. Tem ônibus, mas preferimos só usar na volta porque ainda queríamos visitar o Museu Bicentenário da Independência. No meio do percurso, identificamos uma família paulistas, mêo, que tava indo pra lá também e seguimos em comboio. 

À primeira vista, você vê um lugar essencialmente turístico. Com bares, barraquinhas de suvenires e casais dançando uns tangos meia-boca (hãn, hãn?). Ao fundo, a turistada (nós, inclusive) disputando espaço para tirar as fotos-clichê. A história do Caminito é interessante. O lugar ficou conhecido por ser habitada por imigrantes estrangeiros, maioria italianos, que chegavam pelo porto para trabalhar no século 19. As casinhas do Caminito são feitas de placas de zinco e são coloridas porque eram pintadas com restos de tinta que sobrava da oficina do porto. Na década de 1950, um grupo de artistas decidiu restaurar a área. O mais famoso deles é o pintor Boca Quinquela, que batizou a rua de “Caminito” pelo título de um popular tango argentino. Depois, com doações de artistas, o lugar foi melhorando e transformado em um museu a céu aberto e sem portas. O Caminito é perto do estádio La Bombonera, que não visitamos porque estávamos apressados para ver o museu antes que fechasse.

Nostra amiga e su nobio en La Boca
Vanessa caminhou pelos caminitos da capital hermana.

terça-feira, 21 de maio de 2013

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Quando eu me mudei para Recife, uma das coisas mais estranhas que percebi era o afeto e a quase idolatria do povo recifense por um produto local que eu achava pouco saboroso. Na verdade achava que tinha gosto de terra. Seria um efeito do famoso e grandioso bairrismo recifense? Meu paladar sertanejo era pouco refinado (ou muito) para conseguir apreciar tal lanche? Passei um bom tempo olhando de lado para o biscoito de maior audiência da capital pernambucana, o Biscoito Treloso.
Menino treloso, quer comer biscoito...

sexta-feira, 17 de maio de 2013

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Quando comecei esse post, tentei não escrever muito, mas me traí. Queria deixar as fotos falarem por si, mas as palavras e a saudade me passaram a perna. De forma meio involuntária. Passamos dez dias no Chile e a cada nova manhã eu descobria um pedacinho mais bacana que o outro. Sou bem bairrista. Curto muito o Recife e arredores e defendo o País, mas confesso que pensei em mudar de CEP de vez. Tá certo que fui com olhar de turista, achando tudo lindo e massa, mas estávamos com a proposta de viajar sem muito luxo. Andamos de metrô, de ônibus e táxi somente no último dia, para ir ao Aeroporto. Achei o Chile uma cidade preparada pro turismo - ao menos as cidades visitadas. 

Como viajamos sem muita preparação nos perdemos muito pelas ruas, mas achei o povo educado e disposto a ajudar. Talvez seja cansaço da cidade ou, simplesmente, porque nunca fui ao exterior, mas me senti tão plena quando andei pelas ruas sem medo de assalto. Só em Santiago fiquei mais ligada. Nos primeiros dias me recordo que andava com a máquina enfiada na bolsa, a mochila amarrada com uns três nós e virada pra frente. hahahaaha. Em Viña del Mar, perguntei ao motorista sobre a violência na cidade e ele riu da minha cara. "ah, aqui não é como o Rio de Janeiro". É, eles acham que Brasil é só  Rio de Janeiro. Tentei explicá-los que não era carioca, mas foi em vão. 

Ao longo da viagem não passamos por nenhum sufoco. Graças! Em Santiago nos mandaram tomar cuidado, como toda grande capital, mas não aconteceu nenhum incidente. Pucón é uma cidade encantadora, parece um pouco com as cidades do Sul do País, tipo Gramado, Canela, Blumenau, mas achei o povo chileno com menos bossa.
1. Uva de Chocotoco
2. Uma plantinha
3. Deliciosa lasanha de coisa verde que comemos em Bellavista, estava ótima e barata! (Lasanha de palta - abacate)
4. Ah, o grande Villarica...
5. Uno pedacito de lo Mexicozito em Pucón
6. Roaaaaaaaaar!
7. NECESITA DE PLATA????
8. No Chile há sobremesa no café da manhã! (Café Lounge Brasil)
9. Melhor café da manhã de Pucón! Servido perto de 11h
10. Un poemito escrito na parede do Café Lounge Brasil, em Pucón
11. Uma casinha bonitinha
Marcela Balbino e Rodolfo Nícolas estão saudosos...

terça-feira, 14 de maio de 2013

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Depois de subir o Vulcão Villarica nossas baterias secaram mesmo... se fosse verdade aquela história de que colocar pilha no congelador recarrega a energia, o frio de Pucón tinha recarregado a gente e isso passou longe de acontecer. Desistimos de fazer rafting nas corredeiras do Rio Villarica, mas queríamos aproveitar nossa última noite na cidade em grande estilo. Então, nada mais chique que tomar banho nas Termas Loz Pozones (em tradução livre: Termas dos Poções).
Gustamos mucho
Olha a fumaça da quentchura da água
Compramos o pacote na mesma empresa que nos levou ao vulcão (Turismo Andesmar) e ficamos tentados a fazer o passeio a cavalo, só que mesmo galopando íamos nos cansar. Não lembro bem, mas acho que custou uns 18 mil pesos para o casal, já incluso a entrada no parque. O horário de partida era 20h e recebemos dezenas de recomendações para que não atrasar,  levar comida, água e toalhas. Não podia levar nada alcoólico e fiquei meio encucado sem saber o motivo, mas depois descobri.

Pontualmente, estávamos lá esperando e uma van nos apanhou para o início do passeio. Um casal de chilenos iria com a gente, mas o que chamou atenção foi o motorista que já nos conhecia do vulcão e ficou fazendo bullyng."Muita cerveja, caipirinha e feijoada, por isso não conseguiram chegar ao cume do vulcão", falava nosso guia. Saliento que a única inverdade nisso é que prefiro cachaça pura.
Si pobrecito ya fui, no me recuerdo más
O guia tinha propriedade para falar do Brasil, falava um ótimo portunhol e conhecia bem algumas coisas da gente. Além de dar apoio a inúmeros brasileiros que vão a Pucón, ele era um ex-carabineiro (ex-policial) que tinha feito um intercâmbio com a polícia do Rio de Janeiro, com algo relacionado a áreas urbanas e favelas.
Antônio NUNES!
Nessa hora, o casal chileno começou uma conversa quando descobriu que éramos brasileños. Falaram que conheciam muito da nossa música. Ai se eu te pego. Axé. Tchuchuca. E nos informaram que o arauto da música brasileira no Chile era chamado Fabrício Vasconcelos, que eles disseram que chegou lá "con una maozita en la friente e otra atras" e hoje é rico, famoso e pega as atrizes. Quando perguntaram se apreciávamos, Marcela foi enfática: Nosostros no gustamos...

Bem, voltando a falar das termas, a água quentinha é coisa fantástica. Tem umas seis piscinas com temperatura crescente, chegando a 40°, se não estou enganado. Ficamos só em duas, o que já era suficiente. Na segunda deu para entender o motivo de não poder levar bebida alcoólica... você pode ficar cego se ficar com os olhos muito tempo embaixo da água! Tenso!
Para quem não é bom de espanhol vou traduzir a primeira linha: Proibido fazer safadeza dentro e fora das cacimbas de água quente
Bem, nas termas não tem muita coisa para fazer além de relaxar e conversar. Conversando com nossos amigos chilenos, explicamos a eles o significado de algumas músicas, pois eles disseram que todo mundo canta nas festas, mas ninguém faz a mínima ideia do que elas querem dizer. Concluíram que eram grosserias contra las mujeres, mas que como era algo desconhecido continuariam dançando nos shows.

Por fim, o rapaz contou que era jogador de futebol, de um time da segunda divisão. Conversamos um pouco (ou tentamos) e ele se mostrou impressionado como meu time de quarta divisão coloca entre 8 e 10 mil pessoas no estádio. Segundo ele, os times de primeira divisão do Chile têm dificuldades em juntar um público desses. Hoje em dia ele torce e sonha em jogar pelo Salgueiro.
Nuestros amigos chilenos
Rodolfo Nícolas e Marcela Balbino respeitaram as placas.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

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Domingo de manhã já foi o dia da preguiça, de sarrabuiar entre os lençóis e pernas quentinhas mais próximas. Hoje, as manhãs (e tardes) dominicais são para ocupar a cidade do Recife andando de bicicleta. Na verdade não é só de bike, das 8h às 16h30 os cones que delimitam a ciclofaixa móvel são colocados para quem tiver à disposição veículos com rodas movidos à tração humana (definição de nossa faixa Nathalia). O RecifEstranhO compareceu ao passeio em dois domingos de abril.

Look ciclofaixa

Entre cônes
Milhares de pessoas na primera bicicletada RecifEstrahO
A primeira saída foi no dia 14, que ficou registrada nos anais do blog como "Grande Bicicletada RecifEstranhO", contando com cinco pessoas... que valeram por 42 mil! Nesse dia nossa redatora Lorena desenrolou um contato que alugou bikes a R$ 20  a diária. Eu e Marcela aproveitamos. Luiz e Nathalia fizeram uso das bicicletas do Porto Leve (já resenhadas aqui).

Chegamos cedinho e 09h30 já estávamos a pedalar. Sedentários como somos, rapidinho suávamos as bicas e, lá pelas 11:30, resolvemos dar uma leve paradinha. Procuramos um lugar pela Praça do Arsenal para tomar um suco e comer algo e não tinha nada aberto... Se no dia da bicicleta tá assim, com esse apoio, IMAGINA NA COPA??? O único lugar funcionando a pleno vapor era o Delta Café, onde ficamos até o fim.
Nesse dia rodamos pelo Recife Antigo, vimos o Marco Zero cheio de famílias, andamos na infinita ciclofaixa das Torres Gêmeas, ocupamos um pedacinho de Estelita e nos divertimos muito!
Visão do cais das Torres Gêmeas
Aluguel das carrocinhas

Agora sim os participantes da primeira biciclestranha

No dia 28 resolvemos pegar nossos ventrículos e aurículos desprevenidos e fomos para a ciclofaixa do Recife Antigo, só que dessa vez só poderíamos usar as bicicletas do Porto Leve. Eu, Marcela e Milenna (no que se esperava ficar conhecido como "Bicicletada dos Blogs) pedalamos freneticamente da estação 08 (Aurora) a estação 05 (Porto Digital) onde faríamos uma leve pausa para depois encontrar Lorena e Elias para rumar ao Ocupe Estelita. Qual não foi nossa surpresa a estação 05 estava com defeito e não registrou a devolução das bicicletas... o mesmo tinha acontecido com Lorena e Elias, que já haviam ido embora pois não iam mais poder pegar as bikes... mesma situação da gente... Para completar começou a chover forte e tivemos que correr para o Delta (no que ficou conhecido como "Pseudo Bicicletada de 24 minutos com Capuccino e paçoca).

Efistáile!



Rodolfo Nícolas já enfrentou uma ladeira montado em sua magrela.

Quem quiser dar pedaladas com a gente, é só dar uma curtida e deixar um recado em www.facebook.com/recifestranho ou enviar um e-mail para recifeestranho@gmail.com.