terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pipoca doce: patrimônio imaterial do Recife

Quando eu era pequeno lá no interior, uma das minhas diversões dominicais era comer pipoca na Praça da Igreja após a missa. Entre uma corrida e outra, depois de brigar ou pedir águas nas casas, sempre rolava um saquinho de pipoca.
O charme das carrocinhas de pipoca
Tinha dia que não tinha dinheiro ou já desviara a verba da pipoca para outros fins e ficava só no gostinho. Por esse problema financeiro desenvolvi uma técnica para comer de graça, eficiente em 90% dos casos. Chegava na carrocinha perguntando o preço e tal, dizia que só ia comer se estivesse bem quentinha e salgadinha. Depois disso, quase sempre ganhava uma amostra grátis para degustação, que era criticada veementemente com fortes argumentos infantis e assim passava para a próxima carrocinha.

Nunca usei essa técnica em Recife, mas é batata que funcionaria, inclusive com as pipocas doces. Lá em Salgueiro não tinha dessa pipoca feita com chocolate em pó e leite condensado, só vendia a tradicional e clássica branca com sal e manteiga. Doce só daquelas industriais, tipo as que vendem aqui no sinal (hummm, pipoca de sinal... anotar aqui no meu caderno), que tinha a Gravatá como líder absoluta.
Me lambi todinho aqui
Sempre sonhei com uma panela de pipoca, achava esse mecanismo da tampa mágico
A primeira vez que comi essa pipoca doce daqui fiquei meio dividido, pois parecia ser boa, mas como estava fria e muito melecada, nublou meu paladar (também infantil, porém refinado). Depois consegui pegar uma recém saída da panela o que acabou com qualquer dúvida.

Ela fica boa bem quentinha e com dois filetes de leite condensado em cima. Lept lept (tem que ser um indo e o outro voltando, num V em zigue zague). A cor tem que ser mestiça, como que pintada com spray, dando aquela cor meio amarronzada/caramelizada com salpiscos estilo Pollock. Ah, o saquinho tem que ser o tradicional, nada de plástico.

A única coisa que não combina nessa história é o preço, que às vezes é bem salgado.
Você pode encontrar pipoca doce na saída de todos os concursos realizados na Unicap Recife, no Parque 13 de maio, na Jaqueira, no Parque Dona Lindu, no Recife Antigo, na saída do Cinema São Luiz e em várias carrocinhas espalhadas pela cidade.
Uma cachoeira de pipoca

Rodolfo Nícolas já vendeu pipoca com mel numa gincana, erroneamente ela a chamava de doce.

Siga o conselho do Bob Espoja! Ehehehehehehehehehehehehehehehehe!

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