terça-feira, 8 de abril de 2014

A cana-de-açúcar vindo da Zona da Mata para o Recife. Foto: reprodução do curta Acercadacana, de Felipe Peres
Eu não sei tomar caldo de cana. Nunca gostei de tomar essa bebida e não entendia o motivo. Hoje, após atingir a maturidade, compreendi alguns aspectos deste ritual. Sim, deste ritual. Recolher do caldo de cana a doçura do açúcar é complexo como a cerimônia do chá nipônica.
Ah, o doce sabor adocicado que molha os lábios e alegra o coração (tenho ouvido muitos bregas clássicos nos últimos dias)
Lembro que me chateava horrores com meus amigos tomando o caldo devagarzinho e comendo pão de queijo*. bebericavam, mordiam, conversavam e viam o mundo passar. Ficava agoniado com a demora e a paciência deles.

Esses dias fui fazer prova no Detran e resolvi tomar um caldo de cana na praça de alimentação de lá (aquelas barraquinhas que ficam em frente ao prédio). Fiz tudo errado e só aí pude ver no passado o caminho certo. Comprei, por R$ 2,00, um copo de 300ml e tentei tomar com goladas longas e rápidas. Apesar de ser um doce suave e muito saboroso, em doses cavalares arripuna a garganta! Também falhei em não comprar nada salgado para contrastar o sentimento das papilas gustativas.
Apesar da belíssima foto do canavial no começo do texto, provavelmente eu tomei caldo feito com cana plantado em algum quintal recifense
O caldo de cana tem que ser tomado lentamente, goles curtos alternados com algo salgado. Pequenas pausas para prosear ou contemplar o universo são essenciais para aproveitar o máximo dessa bebida. Uma boa música também ajuda muito e, nesse dia mesmo, tocava 100parea (a música do vaqueiro velho).

Esse que tomei foi feito num engenho C200, inox, motor a gasolina 3,4CV de 1740RPM. Comprei em frente ao Detran, mas também é possível encontrar na frente do Parque da Jaqueira e em vários outros lugares do Recife, como o Mercado de São José, por exemplo.

Rodolfo Nícolas chupa cana e assovia.

* Em Salgueiro pão de queijo é um pastel retangular recheado com uma massa à base de queijo (bem pouco queijo, bem pouco, pouco mesmo).
Esse espaço vago foi o CD de brega que eu comprei

sexta-feira, 4 de abril de 2014

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Fotos: Marcela Balbino/RE
Quando assistia a Fantástica Fábrica de Chocolate me recordo que sempre quis nadar naquele rio de chocolate. Sonhava com Willy Wonka (o original e não aquela coisa emo do remake, embora Johny Depp seja um gatxinho) me levando pela mão e me deixando escolher o que quisesse. Arrá. Nesta quinta-feira (3), me senti mais ou menos assim. Fomos convidados para conhecer o espaço da Lacta, no Shopping Recife, e conferir alguns produtos. Pedi a Nossa Senhora da Dieta, cuja oração eu nunca aprendi, coragem e obstinação para entrar no espaço, com teto cheio de ovo de páscoa, e não sair pegando todos.

No espaço, havia uma máquina que transformou eu e Rodolfo em bonequinhos, paper toys para ser mais profissional. É quase um mini craque, aquele da copa de 98. Mas, para ser mais precisa, é mais um origami tipo o Yoda de papel, tipo o do livro de Tom Angleberger. A ideia é tornar o ovo de páscoa algo mais especial e personalizado. Não apenas chocolate e embalagem colorida, a intenção é transformá-lo em um presente mesmo. É massa. O cliente pode comprar qualquer produto, apresentar o cupom fiscal e fazer o bonequinho. 

Pausa pro momento criança ;~~

Fiquei besta com a mini Marcela, não vou mentir. Carreguei na morenice, no sorriso e nos cachinhos. Rá! Morra de inveja você que passa horas com os cabelos cheios de bobs. Tentei colocar a camisa do Carcará em Rodolfo, mas não rolou. Ele ficou todo "empabecido" (aquele que está pabo, no vocabulário salgueirense) com o boneco dele. Seus filhos vão gostar. Seus amigos vão gostar. Os boyzinhos e as boyzinhas mais ainda!

Também fiquei feliz com a mudança de conceito nos ovos de páscoa. Lembro que na minha época (falou terceira idade), os modelos que dominavam eram os da Barbie, Hello Kitty e essas paradas. Mas hoje encontrei um bem legal de uma boneca zumbi. Achei digno e democrático. Feminismos à parte, é interessante essa fuga do padrão de beleza das princesinhas mi mi mi.

Porque no fim todas as princesas viram caveiras (pérola de Rodolfo)

Sim, é importante lembrar que a máquina que produz os bonequinhos está disponível apenas no Shopping Recife.

Marcela e Rodolfo escreveram a resenha a quatro mãos <3

O Recife Estranho, fino e descolado, visitou o espaço a convite da assessoria.

Milenna, do Não Cozinhar, e eu trabalhada na riqueza com meu maxi colar e meu cabelo igual ao do Rolo